créditos: Mariana Goulart

A roupa e o gênero

Falar sobre gênero é falar de um assunto que está em alta e tem rendido discussões calorosas e muitas vezes exageradas. A liberdade de gênero cada vez mais é aceita e também criticada, afinal esta tal liberdade acaba ultrapassando limites nos quais algumas pessoas não aceitam. Ou melhor, não conseguem aceitar por fatores culturais.

A concordância sobre o assunto gênero é delicada. Eu transito (e bem) entre os gêneros. Nunca tive preconceito, pelo contrário, sempre tive contato com homens héteros e também gays. Nunca forcei nenhuma situação de aceitação, apenas acho que o respeito e a igualdade devem estar em primeiro lugar. Vejo que os homens se preocupam demasiadamente na hora de escolher suas roupas para que estas estejam de acordo com o seu gênero escolhido. E vale lembrar que existe uma diferença entre gênero e sexo: gênero é aquele que você se identifica psicologicamente, sexo é o seu corpo fisiológico, sua anatomia (homem e mulher).

Quando faço compras com meu marido, vejo que ele se preocupa em escolher roupas que não duvidem da sua escolha “homem hétero”. Mas nem todos os homens são assim. Alguns simplesmente não se importam. Gostam de moda, de tendências atuais, consomem o que tiver de mais novo. E nem se preocupam com o que as pessoas vão pensar. Eu admiro estes homens, todos deveriam ser assim, originais e seguirem suas vontades. É uma pena ver que alguém deixa de usar algo que goste, que se identifica por causa disso, por destoar do seu gênero escolhido, que grande bobagem!

Normalmente, quando eu estou escrevendo para vocês as colunas de moda para o site, penso em trazer roupas e tendências de acordo com o público-alvo do Bella da Semana. E pode ser que muitos homens ainda acreditem que a moda masculina não precise de tanta ênfase, de tanto destaque. Basta uma calça, uma camisa e um sapato. Ledo engano! A moda masculina sempre teve renome, sempre teve berço.

A moda já trabalha com essa questão da liberdade de gêneros há muito tempo. Talvez sempre tenha dado ênfase a isto. Caso você não saiba, os reis franceses da Idade Média, como o Rei Luís XIV eram adoradores da moda e de roupas extravagantes. Usavam maquiagens, perucas e salto alto. Era normal. E ninguém falava de gênero. Hoje, dependendo da roupa que um homem usar, ele é julgado no ato, até mesmo dentro de casa.

No século XX é que os homens começaram a achar que os homens não deveriam ter cuidados excessivos com sua estética (além da corporal) e foram criando este estigma, de machões que não podem cuidar dos seus trajes com muito esmero que são criticados. Onde está a verdade nisso? Sempre esteve na moda se vestir bem, andar com roupas limpas, passadas, com sapatos engraxados, cabelos e barba feita. Qual a parte que foi perdida, após a década de 1950, que dizia que o homem não se cuidar era algo que contasse para seu gênero?

Meninos! Não deixem de usar e consumir moda de bom gosto por causa desse assunto. Arrumem-se bem, andem cheirosos, cuidem do visual. Pensem que nós mulheres gostamos de homens que se cuidem. É muito machismo achar que um somente as mulheres devem se cuidar. Os homens também devem! Acreditem em mim. Acordem para isto!


Mariana Goulart


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